Será essa a chance de erradicar o HIV?
- Edu Peres
- 5 de mai. de 2020
- 2 min de leitura
Com o isolamento social ocorrendo ao redor do mundo devido ao Coronavírus, os encontros para relações sexuais casuais diminuíram. Com isso, uma janela para o controle de uma outra pandemia, já velha conhecida, acaba de se abrir. Seria essa uma oportunidade de nos aproximarmos da erradicação do HIV?

Do ponto de vista sexual, vivemos tempos difíceis. Com a orientação de evitar contato social com pessoas fora do seu entorno domiciliar, a atividade sexual ficou bastante limitada. Entretanto, o que pode parecer ruim abre uma série de oportunidades no trabalho de prevenção e combate a infecções sexualmente transmissíveis. Na Inglaterra, a clínica de saúde sexual 56 Dean Street, uma das mais movimentadas da Inglaterra e com atenção especial à população LGBTQIA+, registrou uma queda de 80% nos casos de Gonorréia e de prescrição de PEP durante o isolamento social. Com a meta de reduzir a transmissão do HIV na cidade de Londres a zero, a clínica lançou campanha de testagem durante o isolamento.

Desde a popularização da PrEP no país, o diagnóstico de novos casos de HIV têm apresentado queda, com redução de 75% de novos casos em HSH (homens que praticam sexo com homens) no ano passado. Além da prevenção medicamentosa e da recomendação dos métodos de barreira, a ampla testagem, o diagnóstico precoce e a adesão à terapia antirretroviral compõem as metas de erradicação do HIV, conhecidas como 90-90-90. A ampla testagem no período de isolamento, com a pausa nas relações sexuais, serviria semelhante à contenção realizada pela Coreia do Sul no avanço do COVID-19. Hoje sabemos que quanto mais pessoas testadas, mais controle temos no avanço de uma infecção. No caso do HIV não seria diferente: testando a maior quantidade de pessoas com exposição de risco, maior será o número de diagnósticos realizados e tratamentos oferecidos. E lembrando que pacientes com carga viral indetectável são instransmissíveis, essa seria uma ótima oportunidade de romper a corrente de transmissão. E fica o questionamento: se o Brasil conseguir aplicar o isolamento e seguir o exemplo inglês, seria essa uma oportunidade de erradicar outra epidemia que cresceu ~20% na última década no país?
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